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domingo, 24 de julho de 2011

HARRY POTTER: Será que é o fim?

Ainda não tenho como escrever um texto... Estou pensando... Como disse para uma repórter que me entrevistou: "é um misto de sentimentos..." Enquanto isso, coloquei dois vídeos que achei muito ternos...

O que posso dizer agora é que nada tem fim quando se mantém guardado no coração... E isso se aplica a tudo na vida: à família, aos amigos e aos momentos maravilhosos vividos.

Por enquanto, limito-me à frase acima. Depois escrevo mais. Não sei quando o farei, mas o farei...

Jornal da Tarde - Reportagem sobre a Pré-estreia de Harry Potter e as Relíquias da Morte II (e nós na capa e no encarte especial também!!!)







domingo, 5 de setembro de 2010

Desejo de Flor - Vander Lee

Foto tirada em São Lourenço - MG, em julho de 2010.

Ontem, estive participando do curso de Contação de Histórias, ministrado por Marili Alexandre, uma grande amiga minha, que é contadora de histórias e é responsável pela área de extensão cultural da Biblioteca Municipal Monteiro Lobato, de Osasco. Simplesmente viajamos com ela, essa é a verdade. E, durante suas explicações, foi-nos dito que contar histórias é fazer o ouvinte interagir e identificar-se com o texto relatado. E isso, acrescentou-nos a amiga Marili, se dá com histórias e músicas. Então, fazendo uma ponte com o que nos foi dito, com as coisas que sinto, resolvi colocar uma canção de Vander Lee aqui, que muito faz com que eu a vivencie, que intetaja com ela.


Desejo de Flor

Vander Lee

As flores vão nascer de amores
Vãos, viver
E ninguém vai poder mais amputar sua raiz
O galho que crescer
Os ventos vão reger
E quem sabe dançar a sinfonia os homens gris

Há margaridas bêbadas sobre os balcões
Damas-da-noite no calor de explosões

As flores vão nascer
Do querer, sem querer
Lá no sertão, no Paquistão, no coração mais infeliz
E por que não dizer
No vaso, no prazer
Lá no quintal, no Pantanal, no Rio e em Paris

Delírios sob a lava dos vulcões
Amorosas no entulho das construções

Porque nada impede
Uma flor de nascer
De um desejo sincero

Porque nada impede
Uma flor de querer
O que eu quero...

Delírios sob a lava dos vulcões
Amorosas no entulho das construções

As flores vão nascer
Do querer, sem querer
Lá no sertão, no Paquistão, no coração mais infeliz
E por que não dizer
No vaso, no prazer
Lá no quintal, no Pantanal, no Rio e em Paris

Há margaridas bêbadas sobre os balcões
Damas-da-noite no calor de explosões

Porque nada impede
Uma flor de nascer
De um desejo sincero

Porque nada impede
Uma flor de querer
O que eu quero.

domingo, 20 de junho de 2010

ADEUS, JOSÉ SARAMAGO!

Depois que o mundo da canção latino-americana sofreu a perda inestimável de Mercedes Sosa, agora estamos um pouco mais "órfãos" também no mundo da literatura portuguesa...


Saramago me apaixonava pela sua forma de escrever. Não era pessoa de rodeios... E isso, em meu parecer, marcou a sua obra de forma inegável. Ele era único. Li textos dele que me deixaram por vezes perplexa e enamorada pela beleza ímpar de sua escritura. E é por isso que eu o admirava.
Sentiremos saudades desse maravilhoso escritor... com certeza!

Assinatura de Saramago, adquirida durante o XII Encontro de Professores
Universitários Brasileiros de Literatura Portuguesa,
em abril de 1989, na Universidade de São Paulo

Deixo aquí um dos seus pensamentos...


"Sorriso, diz-me aqui o dicionário, é o acto de sorrir. E sorrir é rir sem fazer ruído e executando contracção muscular da boca e dos olhos.
O sorriso, meus amigos, é muito mais do que estas pobres definições, e eu pasmo ao imaginar o autor do dicionário no acto de escrever o seu verbete, assim a frio, como se nunca tivesse sorrido na vida. Por aqui se vê até que ponto o que as pessoas fazem pode diferir do que dizem. Caio em completo devaneio e ponho-me a sonhar um dicionário que desse precisamente, exactamente, o sentido das palavras e transformasse em fio-de-prumo a rede em que, na prática de todos os dias, elas nos envolvem.
Não há dois sorrisos iguais. Temos o sorriso de troça, o sorriso superior e o seu contrário humilde, o de ternura, o de cepticismo, o amargo e o irónico, o sorriso de esperança, o de condescendência, o deslumbrado, o de embaraço, e (por que não?) o de quem morre. E há muitos mais. Mas nenhum deles é o Sorriso.
O Sorriso (este, com maiúsculas) vem sempre de longe. É a manifestação de uma sabedoria profunda, não tem nada que ver com as contracções musculares e não cabe numa definição de dicionário. Principia por um leve mover de rosto, às vezes hesitante, por um frémito interior que nasce nas mais secretas camadas do ser. Se move músculos é porque não tem outra maneira de exprimir-se. Mas não terá? Não conhecemos nós sorrisos que são rápidos clarões, como esse brilho súbito e inexplicável que soltam os peixes nas águas fundas? Quando a luz do sol passa sobre os campos ao sabor do vento e da nuvem, que foi que na terra se moveu? E contudo era um sorriso."

José Saramago

sábado, 31 de janeiro de 2009

SER ADULTO - ARNALDO JABOR


Olá, pessoal!
Reapareci.
Sei que é final de janeiro...
Viajei, fui para São Vicente e curti bastante. Saí, saltei ondas maiores que eu, subi de teleférico, dancei e vi pôr do sol. Ao voltar para São Paulo, fui ao cinema, revi amigos que há muito tempo não via. Dei-me o direito de ser novamente.
Se sinto mudanças de 2008 para agora? Creio que ainda é muito cedo para se dizer qualquer coisa. Por enquanto, em minha vida, vejo muito poucas. Mas em mim, várias...
Como diz Arnaldo Jabor, não é fácil ser adulto. Aprender a lidar com os sentimentos é coisa difícil. Aprender a lidar com as pessoas, idem. Você nunca sabe quando as pessoas são sinceras ou não. E, pensando bem, talvez valha mais a pena você ser sincero consigo mesmo.
Seria legal que vocês lessem o texto abaixo. Para mim, foi como uma chamada de atenção mesmo.
SER ADULTO

Sempre acho que namoro, casamento, romance tem começo, meio e fim. Como tudo na vida. Detesto quando escuto aquela conversa:
- ‘Ah, terminei o namoro…'
- ‘Nossa, quanto tempo?’
- ‘Cinco anos… Mas não deu certo… Acabou’.
- É, não deu…? Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou.
E o bom da vida, é que você pode ter vários amores.
Não acredito em pessoas que se complementam.
Acredito em pessoas que se somam.
Às vezes, você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro.
E não temos esta coisa completa.
Às vezes ele é fiel, mas não é bom de cama.
Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel.
Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador.
Às vezes ela é malhada, mas não é sensível.
Tudo nós não temos.
Perceba qual o aspecto que é mais importante e invista nele.
Pele é um bicho traiçoeiro.Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia.
E às vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona…
Acho que o beijo é importante…e se o beijo bate…se joga…senão bate…mais um Martini, por favor…e vá dar uma volta.
Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra.
O outro tem o direito de não te querer.
Não lute, não ligue, não dê pití.
Se a pessoa tá com dúvida, problema dela, cabe a você esperar ou não.
Existe gente que precisa da ausência para querer a presença.
O ser humano não é absoluto.
Ele titubeia, tem dúvidas e medos mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta.
Nada de drama.
Que graça tem alguém do seu lado sob chantagem, gravidez, dinheiro, recessão de família?
O legal é alguém que está com você por você.
E vice versa.
Não fique com alguém por dó também.
Ou por medo da solidão.
Nascemos sós. Morremos sós. Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado.
E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento.
Tem gente que pula de um romance para o outro.
Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia?
Gostar dói.
Você muitas vezes vai ter raiva, ciúmes, ódio, frustração.
Faz parte. Você namora um outro ser, um outro mundo e um outro universo.E nem sempre as coisas saem como você quer…
A pior coisa é gente que tem medo de se envolver.
Se alguém vier com este papo, corra, afinal, você não é terapeuta.
Se não quer se envolver, namore uma planta.
É mais previsível.
Na vida e no amor não temos garantias.
E nem todo sexo bom é para namorar.
Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar.Nem todo beijo é para romancear.
Nem todo sexo bom é para descartar. Ou se apaixonar. Ou se culpar.
Enfim… Quem disse que ser adulto é fácil?
Arnaldo Jabor
Foto: Entardecer em São Vicente, 10.01.2009 (Denise Duarte Ferro)


terça-feira, 16 de dezembro de 2008

"FANATISMO", DE FLORBELA ESPANCA - SIMPLESMENTE MARAVILHOSO!

Florbela Espanca (1894-1930) foi uma poetisa portuguesa das mais brilhantes. Segundo nos relatam os estudiosos, não pertenceu propriamente ao auge do período Simbolista português, porém possuía, sim, idéias simbolistas.

O poema que transcrevo aqui é um dos mais lindos (claro, em minha humilde opinião!!) já escritos por ela que, antes de ser poetisa, revelava-se mulher. Palavras divinas que também foram magistralmente interpretadas por Fagner, na canção "Fanatismo".


Fanatismo

Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

"Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, digo de rastros:
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: Princípio e Fim!..."

Algumas informações foram retiradas do site: http://www.secrel.com.br/jpoesia/flor.html#desejos

Imagem: Rose Canazzaro - "Desejos e Delírios"

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

EL CAZADOR DE RAÍCES

Hablar de Pablo Neruda es una tarea de las más difíciles. Por detrás del gran poeta que fue, había un hombre cuyo corazón latía por su América: de los antepasados, de la naturaleza y del amor. A través de sus versos defendió la justicia y la igualdad entre los hombres... Habló como nadie del amor y de la naturaleza... Su grandeza era poder escribir sobre lo sencillo. Por esto y por tantas otras cosas, ganó el Premio Nobel de Literatura.

Dejo a vosotros aquí, de tantos lindos poemas que tenemos por herencia de este gran poeta, uno de los que marcó mi existencia... La vida me lo regaló cuando estaba cursando las prácticas de lenguas portuguesa y española.

Se titula "El cazador de raíces".

Yo pertenezco a la fecundidad
Y creceré mientras crece la vida:
soy joven con la juventud del agua,
soy lento como la lentitud del tiempo,
soy puro como la pureza del aire,
oscuro como el vino de la noche
y sólo estaré inmóvil cuando sea
tan mineral que no vea ni escuche,
ni participe en lo que nace y crece.
Cuando escogí la selva
para aprender a ser,
hoja por hoja,
extendí mis lecciones
y aprendí a ser raíz, barro profundo,
tierra callada, noche cristalina,
y poco a poco más, toda la selva.






segunda-feira, 5 de maio de 2008

EL MAR...

Para decir la verdade, siempre me ha gustado el campo... me gusta ver el rocío sobre la hierba por la mañana, sentir el fríocito que viene de las montañas y el olor de las flores, saborear las frutas recogidas del árbol... En fin... Pero no puedo rechazar la idea de que el mar, por más violento que pueda parecer y por tragar los recuerdos míos, devolviéndome, con las mareas, sólo las algas, sólo las conchas..., no sea también fascinante por sus misterios...


"La pasión"

"Me gusta mirar el mar...
Él me recuerda las grandes
Pasiones, los amores imposibles.
El mar tiene la dimensión infinita
De lo inalcanzable y lo inabordable
La tentación perenne del misterio.
Así como la pasión, el mar es indomable,
absoluto, envolvente, profundo.
Así como el mar, la pasión es atrayente
Y jamás sabemos dónde termina.
Así como el mar, la pasión es misteriosa,
de una belleza inmensa, pero llena de peligros...
Así como la pasión, el mar nos devora totalmente
O nos deja a la deriva sin piedad.
En ambos está el sumergirse y
la deliciosa sensación de saberse vivo.
En el mar, la frescura del azul nos tranquiliza.
En la pasión, el rojo ardor nos funde con otro ser.
Sumergirse en la pasión,
Como náufrago de amor o sumergirse en el mar,
para dejar de sufrir
siempre está el peligro de ser tragado,
hundiéndonos para siempre
y no volver más...
o retornar en una ola hacia la vida otra vez..."
Lisiê Silva y Alberto Peyrano

segunda-feira, 21 de abril de 2008

"PARA SER GRANDE"

Fernando Pessoa me encanta tanto en portugués como en español.
Es unos de mis poetas preferidos. Me gusta tanto por lo profundos que son sus poemas como por el misterio que posee al crear una diversidad de heterónimos, cada cual con caracerísticas muy peculiares.

Bueno, el poema que reproduzco aquí se llama "Para ser grande". La autoría es de Ricardo Reis (heterónimo que veía la "profunda simplicidad de la vida", según el sitio www.fpessoa.com.ar/heteronimos.asp?Heteronimo=ricardo_reis - 32k). Es guay también por todo lo que representó en mi vida, desde que estudiaba en el colegio "Afonso César de Siqueira", en la época de la enseñanza fundamental, en la década de los 80.


Vamos a él:


Para ser grande, sé entero: nada

Tuyo exagera o excluye.

Sé todo en cada cosa.

Pon cuanto eres

En lo mínimo que hagas.

Así en cada lago la luna entera

Brilla, porque alta vive.


quarta-feira, 9 de abril de 2008

GUIMARÃES ROSA

Como definir a palavra "famigerado"?
Há um conto de Guimarães Rosa que nos diverte e nos faz entender o que vem a ser o "dito cujo famigerado".
Leiam e confiram, amigos! Vale a pena, ainda mais se considerarmos o grande gênio que foi e sempre será Guimarães...


FAMIGERADO

Foi de incerta feita — o evento. Quem pode esperar coisa tão sem pés nem cabeça? Eu estava em casa, o arraial sendo de todo tranqüilo. Parou-me à porta o tropel. Cheguei à janela.
Um grupo de cavaleiros. Isto é, vendo melhor: um cavaleiro rente, frente à minha porta, equiparado, exato; e, embolados, de banda, três homens a cavalo. Tudo, num relance, insolitíssimo. Tomei-me nos nervos. O cavaleiro esse — o oh-homem-oh — com cara de nenhum amigo. Sei o que é influência de fisionomia. Saíra e viera, aquele homem, para morrer em guerra. Saudou-me seco, curto pesadamente. Seu cavalo era alto, um alazão; bem arreado, ferrado, suado. E concebi grande dúvida.
Nenhum se apeava. Os outros, tristes três, mal me haviam olhado, nem olhassem para nada. Semelhavam a gente receosa, tropa desbaratada, sopitados, constrangidos coagidos, sim. Isso por isso, que o cavaleiro solerte tinha o ar de regê-los: a meio-gesto, desprezivo, intimara-os de pegarem o lugar onde agora se encostavam. Dado que a frente da minha casa reentrava, metros, da linha da rua, e dos dois lados avançava a cerca, formava-se ali um encantoável, espécie de resguardo. Valendo-se do que, o homem obrigara os outros ao ponto donde seriam menos vistos, enquanto barrava-lhes qualquer fuga; sem contar que, unidos assim, os cavalos se apertando, não dispunham de rápida mobilidade. Tudo enxergara, tomando ganho da topografia. Os três seriam seus prisioneiros, não seus sequazes. Aquele homem, para proceder da forma, só podia ser um brabo sertanejo, jagunço até na escuma do bofe. Senti que não me ficava útil dar cara amena, mostras de temeroso. Eu não tinha arma ao alcance. Tivesse, também, não adiantava. Com um pingo no i, ele me dissolvia. O medo é a extrema ignorância em momento muito agudo. O medo O. O medo me miava. Convidei-o a desmontar, a entrar.
Disse de não, conquanto os costumes. Conservava-se de chapéu. Via-se que passara a descansar na sela — decerto relaxava o corpo para dar-se mais à ingente tarefa de pensar. Perguntei: respondeu-me que não estava doente, nem vindo à receita ou consulta. Sua voz se espaçava, querendo-se calma; a fala de gente de mais longe, talvez são-franciscano. Sei desse tipo de valentão que nada alardeia, sem farroma. Mas avessado, estranhão, perverso brusco, podendo desfechar com algo, de repente, por um és-não-és. Muito de macio, mentalmente, comecei a me organizar. Ele falou:
"Eu vim preguntar a vosmecê uma opinião sua explicada..."
Carregara a celha. Causava outra inquietude, sua farrusca, a catadura de canibal. Desfranziu-se, porém, quase que sorriu. Daí, desceu do cavalo; maneiro, imprevisto. Se por se cumprir do maior valor de melhores modos; por esperteza? Reteve no pulso a ponta do cabresto, o alazão era para paz. O chapéu sempre na cabeça. Um alarve. Mais os ínvios olhos. E ele era para muito. Seria de ver-se: estava em armas — e de armas alimpadas. Dava para se sentir o peso da de fogo, no cinturão, que usado baixo, para ela estar-se já ao nível justo, ademão, tanto que ele se persistia de braço direito pendido, pronto meneável. Sendo a sela, de notar-se, uma jereba papuda urucuiana, pouco de se achar, na região, pelo menos de tão boa feitura. Tudo de gente brava. Aquele propunha sangue, em suas tenções. Pequeno, mas duro, grossudo, todo em tronco de árvore. Sua máxima violência podia ser para cada momento. Tivesse aceitado de entrar e um café, calmava-me. Assim, porém, banda de fora, sem a-graças de hóspede nem surdez de paredes, tinha para um se inquietar, sem medida e sem certeza.
— "Vosmecê é que não me conhece. Damázio, dos Siqueiras... Estou vindo da Serra..."
Sobressalto. Damázio, quem dele não ouvira? O feroz de estórias de léguas, com dezenas de carregadas mortes, homem perigosíssimo. Constando também, se verdade, que de para uns anos ele se serenara — evitava o de evitar. Fie-se, porém, quem, em tais tréguas de pantera? Ali, antenasal, de mim a palmo! Continuava:
— "Saiba vosmecê que, na Serra, por o ultimamente, se compareceu um moço do Governo, rapaz meio estrondoso... Saiba que estou com ele à revelia... Cá eu não quero questão com o Governo, não estou em saúde nem idade... O rapaz, muitos acham que ele é de seu tanto esmiolado..."
Com arranco, calou-se. Como arrependido de ter começado assim, de evidente. Contra que aí estava com o fígado em más margens; pensava, pensava. Cabismeditado. Do que, se resolveu. Levantou as feições. Se é que se riu: aquela crueldade de dentes. Encarar, não me encarava, só se fito à meia esguelha. Latejava-lhe um orgulho indeciso. Redigiu seu monologar.O que frouxo falava: de outras, diversas pessoas e coisas, da Serra, do São Ão, travados assuntos, inseqüentes, como dificultação. A conversa era para teias de aranha. Eu tinha de entender-lhe as mínimas entonações, seguir seus propósitos e silêncios. Assim no fechar-se com o jogo, sonso, no me iludir, ele enigmava: E, pá:— "Vosmecê agora me faça a boa obra de querer me ensinar o que é mesmo que é: fasmisgerado... faz-megerado... falmisgeraldo... familhas-gerado...?Disse, de golpe, trazia entre dentes aquela frase. Soara com riso seco. Mas, o gesto, que se seguiu, imperava-se de toda a rudez primitiva, de sua presença dilatada. Detinha minha resposta, não queria que eu a desse de imediato. E já aí outro susto vertiginoso suspendia-me: alguém podia ter feito intriga, invencionice de atribuir-me a palavra de ofensa àquele homem; que muito, pois, que aqui ele se famanasse, vindo para exigir-me, rosto a rosto, o fatal, a vexatória satisfação?
— "Saiba vosmecê que saí ind'hoje da Serra, que vim, sem parar, essas seis léguas, expresso direto pra mor de lhe preguntar a pregunta, pelo claro..."
Se sério, se era. Transiu-se-me.
— "Lá, e por estes meios de caminho, tem nenhum ninguém ciente, nem têm o legítimo — o livro que aprende as palavras... É gente pra informação torta, por se fingirem de menos ignorâncias... Só se o padre, no São Ão, capaz, mas com padres não me dou: eles logo engambelam... A bem. Agora, se me faz mercê, vosmecê me fale, no pau da peroba, no aperfeiçoado: o que é que é, o que já lhe perguntei?"
Se simples. Se digo. Transfoi-se-me. Esses trizes:
— Famigerado?
— "Sim senhor..." — e, alto, repetiu, vezes, o termo, enfim nos vermelhões da raiva, sua voz fora de foco. E já me olhava, interpelador, intimativo — apertava-me. Tinha eu que descobrir a cara. — Famigerado? Habitei preâmbulos. Bem que eu me carecia noutro ínterim, em indúcias. Como por socorro, espiei os três outros, em seus cavalos, intugidos até então, mumumudos. Mas, Damázio:
— "Vosmecê declare. Estes aí são de nada não. São da Serra. Só vieram comigo, pra testemunho..."
Só tinha de desentalar-me. O homem queria estrito o caroço: o verivérbio.
— Famigerado é inóxio, é "célebre", "notório", "notável"...
— "Vosmecê mal não veja em minha grossaria no não entender. Mais me diga: é desaforado? É caçoável? É de arrenegar? Farsância? Nome de ofensa?"
— Vilta nenhuma, nenhum doesto. São expressões neutras, de outros usos...
— "Pois... e o que é que é, em fala de pobre, linguagem de em dia-de-semana?"
— Famigerado? Bem. É: "importante", que merece louvor, respeito...
— "Vosmecê agarante, pra a paz das mães, mão na Escritura?"
Se certo! Era para se empenhar a barba. Do que o diabo, então eu sincero disse:
— Olhe: eu, como o sr. me vê, com vantagens, hum, o que eu queria uma hora destas era ser famigerado — bem famigerado, o mais que pudesse!...
— "Ah, bem!..." — soltou, exultante.
Saltando na sela, ele se levantou de molas. Subiu em si, desagravava-se, num desafogaréu. Sorriu-se, outro. Satisfez aqueles três: — "Vocês podem ir, compadres. Vocês escutaram bem a boa descrição..." — e eles prestes se partiram. Só aí se chegou, beirando-me a janela, aceitava um copo d'água. Disse: — "Não há como que as grandezas machas duma pessoa instruída!" Seja que de novo, por um mero, se torvava? Disse: — "Sei lá, às vezes o melhor mesmo, pra esse moço do Governo, era ir-se embora, sei não..." Mas mais sorriu, apagara-se-lhe a inquietação. Disse: — "A gente tem cada cisma de dúvida boba, dessas desconfianças... Só pra azedar a mandioca..." Agradeceu, quis me apertar a mão. Outra vez, aceitaria de entrar em minha casa. Oh, pois. Esporou, foi-se, o alazão, não pensava no que o trouxera, tese para alto rir, e mais, o famoso assunto.

Texto extraído do livro "Primeiras Estórias", Editora Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 1988, pág. 13.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

ESCRITORAS LATINOAMERICANAS


Hoy ha terminado la Orientación Técnica en CENP. Han sido dos días agradables, pues he podido rever a algunas amigas que trabajan en otros Centros de Estudios de Lenguas. Eso es lo bueno de la historia. Pero no puedo dejar de comentar que las clases fueron muy interesantes, sobretodo la clase de la profesora Pilar Iglesias Aparicio. Me ha gustado la manera como nos ha presentado algunas escritoras latinoamericanas. Ha sido fantástico. Hemos escuchado canciones, hemos visto imágenes, sin dejar de hablar que su manera de dar clases es singular.
Y como me ha gustado tanto, he resuelto poner aquí en mi blog, a partir de hoy, algunos poemas e, incluso, cuentos de las escritoras que he acabado por conocer.
La primeira, es Gioconda Belli, de Nicaragua.


UNO NO ESCOGE

Uno no escoge el país donde nace;
pero ama el país donde ha nacido.
Uno no escoge el tiempo para venir al mundo;
pero debe dejar huella de su tiempo.
Nadie puede evadir su responsabilidad.
Nadie puede taparse los ojos, los oídos,
enmudecer y cortarse las manos.
Todos tenemos un deber de amor que cumplir,
una historia que nacer
una meta que alcanzar.
No escogimos el momento para venir al mundo:
Ahora podemos hacer el mundo
en que nacerá y crecerá
la semilla que trajimos con nosotros.

domingo, 30 de março de 2008

FRASES DE ALVO DUMBLEDORE (HARRY POTTER)




Resolvi colocar aqui algumas frases interessantes dita pelo personagem Alvo Dumbledore. É... É isso mesmo: o Diretor da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, dos livros de Harry Potter. Muitas pessoas que não têm conhecimento da obra falam mal dela sem sequer haver lido uma página. Pois deveriam saber que a história vai muito além de contar a vida de um bruxinho que ficou órfão quando era bebê e de seus amigos... Pode até parecer simples demais, cheia de clichês, talvez, mas também tem mensagens muito bonitas: amor (sobretudo), amizade e cumplicidade. É o mundo em que nós vivemos: a constante luta entre o bem e o mal para conseguir viver melhor. Aconselho aos amigos que não leram, que o façam, antes de me considerar só uma fã a mais... Não leio os livros por ler. Há um motivo... E esse motivo está explicado no decorrer das postagens que faço aqui em meu blog: AMOR... Sentimento este que ofereço para a razão da minha vida (o meu marido), para a minha família, para os meus amigos (os que estão perto, os que estão longe, os que estão ainda reticentes...), para os meus alunos e deposito no meu trabalho.

Aqui estão elas:

"Naturalmente está acontecendo dentro da sua cabeça, mas por que é que isto deveria significar que não é verdadeiro?"

"A verdade é uma coisa bela e terrível, por isso deve ser tratada com grande cautela."

"É necessária muita audácia para enfrentar nossos inimigos,mas maior audácia para enfrentarmos nossos amigos." (Juh_loveHP)

"São as nossas escolhas que revelam o que realmente somos, muito mais do que as nossas qualidades." (esta é a de que mais gosto)

"A velhice é tola e esquecida quando subestima a juventude."

"É possível encontrar a felicidade mesmo nas horas mais sombrias, se lembrar de acender a luz."

"Não vale a pena mergulhar nos sonhos e esquecer de viver." (e esta eu aprendi, graças a um amigo, recentemente...)

"O problema é que os seres humanos têm o condão de escolher exatamente aquilo que é pior para eles."

"Para uma mente bem estruturada, a morte é apenas uma aventura seguinte."

"Porque nos sonhos entramos num mundo inteiramente nosso. Deixe que mergulhe no mais profundo oceano, ou flutue na mais alta nuvem."

"As conseqüências dos nossos atos são sempre tão complexas, tão diversas, que predizer o futuro é uma tarefa realmente difícil."

"Sempre chame as coisas pelo nome que têm. O medo de um nome aumenta o medo da coisa em si."

"Em breve nós teremos que escolher entre o que é facil e o que é certo".

"Todos temos o bem e o mal dentro de si, mas o que realmente importa não são as semelhanças e sim as diferenças."

Alvo Dumbledore

_____________________________________________________________
Colaborações de colegas:

João Paulo:

Só terei realmente deixado a escola quando ninguém mais aqui for leal a mim…"

"Hogwarts sempre ajudará aqueles que a ela recorrerem. ”


Henrique:

"Compreender é o primeiro passo para aceitar, e somente aceitando você pode se recuperar."

"Amortecer a dor por algum tempo apenas a tornará pior quando você finalmente a sentir."

segunda-feira, 24 de março de 2008

LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO (2)

O segundo texto se intutula "O lixo".
Para mim é gracioso, singelo, poético...

O lixo

Encontram-se na área de serviço. Cada um com seu pacote de lixo. É a primeira vez que se falam.
- Bom dia...
- Bom dia.
- A senhora é do 610.
- E o senhor do 612.
- É.
- Eu ainda não lhe conhecia pessoalmente...
- Pois é...
- Desculpe a minha indiscrição, mas tenho visto o seu lixo...
- O meu quê?
- O seu lixo.
- Ah...
- Reparei que nunca é muito. Sua família deve ser pequena...
- Na verdade sou só eu.
- Mmmm. Notei também que o senhor usa muito comida em lata.
- É que eu tenho que fazer minha própria comida. E como não sei cozinhar...
- Entendo.
- A senhora também...
- Me chame de você.
- Você também perdoe a minha indiscrição, mas tenho visto alguns restos de comida em seu lixo. Champignons, coisas assim...
- É que eu gosto muito de cozinhar. Fazer pratos diferentes. Mas, como moro sozinha, às vezes sobra...
- A senhora... Você não tem família?
- Tenho, mas não aqui.
- No Espírito Santo.
- Como é que você sabe?
- Vejo uns envelopes no seu lixo. Do Espírito Santo.
- É. Mamãe escreve todas as semanas.
- Ela é professora?
- Isso é incrível! Como foi que você adivinhou?
- Pela letra no envelope. Achei que era letra de professora.
- O senhor não recebe muitas cartas. A julgar pelo seu lixo.
- Pois é...
- No outro dia tinha um envelope de telegrama amassado.
- É.
- Más notícias?
- Meu pai. Morreu.
- Sinto muito.
- Ele já estava bem velhinho. Lá no Sul. Há tempos não nos víamos.
- Foi por isso que você recomeçou a fumar?
- Como é que você sabe?
- De um dia para o outro começaram a aparecer carteiras de cigarro amassadas no seu lixo.
- É verdade. Mas consegui parar outra vez.
- Eu, graças a Deus, nunca fumei.
- Eu sei. Mas tenho visto uns vidrinhos de comprimido no seu lixo...
- Tranqüilizantes. Foi uma fase. Já passou.
- Você brigou com o namorado, certo?
- Isso você também descobriu no lixo?
- Primeiro o buquê de flores, com o cartãozinho, jogado fora. Depois, muito lenço de papel.
- É, chorei bastante, mas já passou.
- Mas hoje ainda tem uns lencinhos...
- É que eu estou com um pouco de coriza.
- Ah.
- Vejo muita revista de palavras cruzadas no seu lixo.
- É. Sim. Bem. Eu fico muito em casa. Não saio muito. Sabe como é.
- Namorada?
- Não.
- Mas há uns dias tinha uma fotografia de mulher no seu lixo. Até bonitinha.
- Eu estava limpando umas gavetas. Coisa antiga.
- Você não rasgou a fotografia. Isso significa que, no fundo, você quer que ela volte.
- Você já está analisando o meu lixo!
- Não posso negar que o seu lixo me interessou.
- Engraçado. Quando examinei o seu lixo, decidi que gostaria de conhecê-la. Acho que foi a poesia.
- Não! Você viu meus poemas?
- Vi e gostei muito.
- Mas são muito ruins!
- Se você achasse eles ruins mesmo, teria rasgado. Eles só estavam dobrados.
- Se eu soubesse que você ia ler...
- Só não fiquei com eles porque, afinal, estaria roubando. Se bem que, não sei: o lixo da pessoa ainda é propriedade dela?
- Acho que não. Lixo é domínio público.
- Você tem razão. Através do lixo, o particular se torna público. O que sobra da nossa vida privada se integra com a sobra dos outros. O lixo é comunitário. É a nossa parte mais social. Será isso?
- Bom, aí você já está indo fundo demais no lixo. Acho que...
- Ontem, no seu lixo...
- O quê?
- Me enganei, ou eram cascas de camarão?
- Acertou. Comprei uns camarões graúdos e descasquei.
- Eu adoro camarão.
- Descasquei, mas ainda não comi. Quem sabe a gente pode...
- Jantar juntos?
- É.
- Não quero dar trabalho.
- Trabalho nenhum.
- Vai sujar a sua cozinha?
- Nada. Num instante se limpa tudo e põe os restos fora.
- No seu lixo ou no meu?


É ou não é uma fofura de texto? :o)


in Gigolô das Palavras. L&PM Editores, 1982.


LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO (1)

Luís Fernando Veríssimo é um daqueles escritores que não podemos deixar de ler, pelo seu humor, pela sua picardia, pela sua leveza.
Selecionei dois textos de que gosto muito e que fazem parte do livro "O Gigolô das Palavras", publicado pela L&PM Editores, do Rio Grande do Sul, em 1982. O primeiro, que se intitula "Trapezista". Gosto dele pelo humor, até meio sarcástico, que apresenta...

Trapezista
Querida, eu juro que não era eu. Que coisa rídicula! Se você estivesse aqui - Alô? Alô? - Olha, se você estivesse aqui ia ver a minha cara, inocente como o Diabo. O quê? Mas como ironia? "Como o diabo" é força de expressão, que diabo. Você acha que eu ia brincar numa hora desta? Alô! Eu juro, pelo que há de mais sagrado, pelo túmulo da minha mãe, pela nossa conta no banco, pela cabeça dos nossos filhos, que não era eu naquela foto de carnaval no "Cascalho" que saiu na Folha da Manhã. O quê? Alô! Alô! Como é que eu sei qual a foto? Mas você não acaba de dizer... Ah, você não chegou a dizer.. Ah, você não chegou a dizer qual era o jornal. Bom, bem. Você não vai acreditar, mas acontece que eu também vi a foto. Não desliga! Eu também vi a foto e tive a mesma reação. Que sujeito parecido comigo, pensei. Podia ser gêmeo. Agora, querida, nunca, em nenhum momento, está ouvindo? Em nenhum momento me passou pela cabeça a idéia de que você fosse pensar - querida, eu estou até começando a achar graça - que você fosse pensar que aquele era eu. Pelo amor de Deus. Pra começo de conversa, você pode me imaginar de pareô vermelho e colar havaiano, pulando no "Cascalho" com uma bandida em cada braço? Não, faça-me o favor. E a cara das bandidas? Francamente, já que você não confia na minha fidelidade, que confiasse no meu bom gosto, poxa! O quê? Querida, eu não disse "pareô vermelho". Tenho a mais absoluta, a mais tranqüila, a mais inabálavel certeza que eu disse apenas "pareô". Como é que eu podia saber que era vermelho se a fotografia não era em cores, certo? Alô? Alô? Não desliga! Não... Olha, se você desligar está tudo acabado. Tudo acabado. Você não precisa nem voltar da praia. Fica aí com as criancças e funda uma colônia de pescadores. Não, estou falando sério.
Perdi a paciência. Afinal, se você não confia em mim não adianta nada a gente continuar. Um casamento deve se... se... como é mesmo a palavra?... se alicerçar na confianca mútua. O casamento é como um número de trapézio, um precisa confiar no outro até de olhos fechados. É isso mesmo. E sabe de outra coisa? Eu não precisava ficar na cidade durante o carnaval. Foi tudo mentira. Eu não tinha trabalho acumulado no escritório coisíssima nenhuma. Eu fiquei sabe para quê? Para testar você. Ficar na cidade foi como dar um salto mortal, sem rede, só pra sabe se você me pegaria no ar. Um teste do nosso amor. E você falhou. Você me decepcionou. Não vou nem gritar por socorro. Não, não me interrompa.
Desculpas, não adiatam mais. O próximo som que você ouvir será o do meu corpo se estatelando, com o baque surdo da desilusão, no duro chão da realidade. Alô? Eu disse que o próximo som que... O quê? Você não estava ouvindo nada? Qual foi a última coisa que você ouviu, coração? Pois sim, eu não falei - tenho certeza absoluta que não falei - em "pareô vermelho". Sei lá que cor era o pareô daquele cretino na foto. Você precisa acreditar em mim, querida. O casamento é como um número de...
Sim. Não. Claro. Como? Não. Certo. Quando você voltar pode perguntar para o... Você quer que eu jure? De novo? Pois eu juro. Passei sábado, domingo, segunda e terça no escritório. Não vi o carnavel nem pela janela. Só vim em casa tomar um banho e comer um sanduíche e vou logo voltar para lá. Como? Você telefonou para o escritório? Meu bem, é claro que a telefonista não estava trabalhando, não , bem? Ha, ha, você é demais. Olha querida? Alô? Sábado eu estou aí. Um beijo nas crianças. Socorro. Eu disse, um beijo.
:o)

sábado, 22 de março de 2008

PACIÊNCIA


Outro texto de Arnaldo Jabor. Se intitula...


PACIÊNCIA


Ah! Se vendessem paciência nas farmácias e supermercados... Muita gente iria gastar boa parte do salário nessa mercadoria tão rara hoje em dia.
Por muito pouco a madame que parece uma "lady" solta palavrões e berros que lembram as antigas "trabalhadoras do cais"... E o bem comportado executivo?O "cavalheiro" se transforma numa "besta selvagem" no trânsito que ele mesmo ajuda a tumultuar...
Os filhos atrapalham, os idosos incomodam, a voz da vizinha é um tormento, o jeito do chefe é demais para sua cabeça, a esposa virou uma chata, o marido uma "mala sem alça". Aquela velha amiga uma "alça sem mala", o emprego uma tortura, a escola uma chatice.
O cinema se arrasta, o teatro nem pensar, até o passeio virou novela.
Outro dia, vi um jovem reclamando que o banco dele pela internet estava demorando a dar o saldo, eu me lembrei da fila dos bancos e balancei a cabeça, inconformado...
Vi uma moça abrindo um e-mail com um texto maravilhoso e ela deletou sem sequer ler o título, dizendo que era longo demais.
Pobres de nós, meninos e meninas sem paciência, sem tempo para a vida, sem tempo para Deus.
A paciência está em falta no mercado, e pelo jeito, a paciência sintéticados calmantes está cada vez mais em alta.
Pergunte para alguém, que você saiba que é "ansioso demais" onde ele quer chegar?
Qual é a finalidade de sua vida?
Surpreenda-se com a falta de metas, com o vago de sua resposta.
E você?
Onde você quer chegar?
Está correndo tanto para quê?
Por quem?
Seu coração vai agüentar?
Se você morrer hoje de infarto agudo do miocárdio o mundo vai parar?
A empresa que você trabalha vai acabar?
As pessoas que você ama vão parar?
Será que você conseguiu ler até aqui?
Respire... Acalme-se...
O mundo está apenas na sua primeira volta e, com certeza, no final do dia vai completar o seu giro ao redor do sol, com ou sem a sua paciência...

NÃO SOMOS SERES HUMANOS PASSANDO POR UMA EXPERIÊNCIA ESPIRITUAL. SOMOS SERES ESPIRITUAIS PASSANDO POR UMA EXPERIÊNCIA HUMANA.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Este cuento de Mario Benedetti puede enseñarnos cómo somos débiles ante las implacables garras del destino. No importa cuanto se haga, cuanto se esfuerce uno para alcanzar sus objetivos... el fin es algo que no se puede evitar...
A imagen y semejanza
(La muerte y otras sorpresas, 1968)

Era la última hormiga de la caravana, y no pudo seguir la ruta de sus compañeras. Un terrón de azúcar había resbalado desde lo alto, quebrándose en varios terroncitos. Uno de éstos le interceptaba el paso. Por un instante la hormiga quedó inmóvil sobre el papel color crema. Luego, sus patitas delanteras tantearon el terrón. Retrocedió, después se detuvo. Tomando sus patas traseras como casi punto fijo de apoyo, dio una vuelta alrededor de sí misma en el sentido de las agujas de un reloj. Sólo entonces se acercó de nuevo. Las patas delanteras se estiraron, en un primer intento de alzar el azúcar, pero fracasaron. Sin embargo, el rápido movimiento hizo que el terrón quedara mejor situado para la operación de carga. Esta vez la hormiga acometió lateralmente su objetivo, alzó el terrón y lo sostuvo sobre su cabeza. Por un instante pareció vacilar, luego reinició el viaje, con un andar bastante más lento que el que traía. Sus compañeras ya estaban lejos, fuera del papel, cerca del zócalo. La hormiga se detuvo, exactamente en el punto en que la superficie por la que marchaba, cambiaba de color. Las seis patas hollaron una N mayúscula y oscura. Después de una momentánea detención, terminó por atravesarla. Ahora la superficie era otra vez clara. De pronto el terrón resbaló sobre el papel, partiéndose en dos. La hormiga hizo entonces un recorrido que incluyó una detenida inspección de ambas porciones, y eligió la mayor. Cargó con ella, y avanzó. En la ruta, hasta ese instante libre, apareció una colilla aplastada. La bordeó lentamente, y cuando reapareció al otro lado del pucho, la superficie se había vuelto nuevamente oscura porque en ese instante el tránsito de la hormiga tenía lugar sobre una A. Hubo una leve corriente de aire, como si alguien hubiera soplado. Hormiga y carga rodaron. Ahora el terrón se desarmó por completo. La hormiga cayó sobre sus patas y emprendió una enloquecida carrerita en círculo. Luego pareció tranquilizarse. Fue hacia uno de los granos de azúcar que antes había formado parte del medio terrón, pero no lo cargó. Cuando reinició su marcha no había perdido la ruta. Pasó rápidamente sobre una D oscura, y al reingresar en la zona clara, otro obstáculo la detuvo. Era un trocito de algo, un palito acaso tres veces más grande que ella misma. Retrocedió, avanzó, tanteó el palito, se quedó inmóvil durante unos segundos. Luego empezó la tarea de carga. Dos veces se resbaló el palito, pero al final quedó bien afirmado, como una suerte de mástil inclinado. Al pasar sobre el área de la segunda A oscura, el andar de la hormiga era casi triunfal. Sin embargo, no había avanzado dos centímetros por la superficie clara del papel, cuando algo o alguien movió aquella hoja y la hormiga rodó, más o menos replegada sobre sí misma. Sólo pudo reincorporarse cuando llegó a la madera del piso. A cinco centímetros estaba el palito. La hormiga avanzó hasta él, esta vez con parsimonia, como midiendo cada séxtuple paso. Así y todo, llegó hasta su objetivo, pero cuando estiraba las patas delanteras, de nuevo corrió el aire y el palito rodó hasta detenerse diez centímetros más allá, semicaído en una de las rendijas que separaban los tablones del piso. Uno de los extremos, sin embargo, emergía hacia arriba. Para la hormiga, semejante posición representó en cierto modo una facilidad, ya que pudo hacer un rodeo a fin de intentar la operación desde un ángulo más favorable. Al cabo de medio minuto, la faena estaba cumplida. La carga, otra vez alzada, estaba ahora en una posición más cercana a la estricta horizontalidad. La hormiga reinició la marcha, sin desviarse jamás de su ruta hacia el zócalo. Las otras hormigas, con sus respectivos víveres, habían desaparecido por algún invisible agujero. Sobre la madera, la hormiga avanzaba más lentamente que sobre el papel. Un nudo, bastante rugoso de la tabla, significó una demora de más de un minuto. El palito estuvo a punto de caer, pero un particular vaivén del cuerpo de la hormiga aseguró su estabilidad. Dos centímetros más y un golpe resonó. Un golpe aparentemente dado sobre el piso. Al igual que las otras, esa tabla vibró y la hormiga dio un saltito involuntario, en el curso del cual, perdió su carga. El palito quedó atravesado en el tablón contiguo. El trabajo siguiente fue cruzar la hendidura, que en ese punto era bastante profunda. La hormiga se acercó al borde, hizo un leve avance erizado de alertas, pero aún así se precipitó en aquel abismo de centímetro y medio. Le llevó varios segundos rehacerse, escalar el lado opuesto de la hendidura y reaparecer en la superficie del siguiente tablón. Ahí estaba el palito. La hormiga estuvo un rato junto a él, sin otro movimiento que un intermitente temblor en las patas delanteras. Después llevó a cabo su quinta operación de carga. El palito quedó horizontal, aunque algo oblicuo con respecto al cuerpo de la hormiga. Esta hizo un movimiento brusco y entonces la carga quedó mejor acomodada. A medio metro estaba el zócalo. La hormiga avanzó en la antigua dirección, que en ese espacio casualmente se correspondía con la veta. Ahora el paso era rápido, y el palito no parecía correr el menor riesgo de derrumbe. A dos centímetros de su meta, la hormiga se detuvo, de nuevo alertada. Entonces, de lo alto apareció un pulgar, un ancho dedo humano y concienzudamente aplastó carga y hormiga.
Mario Benedetti
(Paso de los Toros, Departamento de Tacuarembó,Uruguay, 14 de septiembre del 1920)

terça-feira, 11 de março de 2008

Gosto muito do Arnaldo Jabor.
Ele tem um quê especial ao falar das mulheres... Recomendaria a vocês um livro seu chamado "Amor é prosa, sexo é poesia" (Crônicas afetivas). É bem interessante.


O MUNDO SEM AS MULHERES

O cara faz um esforço desgraçado para ficar rico pra quê? O sujeito quer ficar famoso pra quê? O indivíduo malha, faz exercícios pra quê? A verdade é que é a mulher o objetivo do homem. Tudo que eu quis dizer é que o homem vive em função de você. Vivem e pensam em você o dia inteiro, a vida inteira... Se você, mulher, não existisse, o mundo não teria ido pra frente. Homem algum iria fazer alguma coisa na vida para impressionar outro homem, para conquistar um sujeito igual a ele, de bigode e tudo. Um mundo só de homens seria o grande erro da criação. Já dizia a velha frase que atrás de todo homem bem-sucedido existe uma grande mulher'. O dito está envelhecido. Hoje eu diria que 'na frente de todo homem bem-sucedido existe uma grande mulher'. É você, mulher, quem impulsiona o mundo. É você quem tem o poder, e não o homem. É você quem decide a compra do apartamento, a cor do carro, o filme a ser visto, o local das férias. Bendita a hora em que você saiu da cozinha e, bem-sucedida ficou na frente de todos os homens. E, se você que está lendo isto aqui for um homem, tente imaginar a sua vida sem nenhuma mulher. Aí na sua casa, onde você trabalha, na rua. Só homens. Já pensou? Um casamento sem noiva? Um mundo sem sogras? Enfim, um mundo sem metas.
ALGUNS MOTIVOS PELOS QUAIS OS HOMENS GOSTAM TANTO DE MULHERES:
1- O cheirinho delas é sempre gostoso, mesmo que seja só xampu.
2 - O jeitinho que elas têm de sempre encontrar o lugarzinho certo em nosso ombro.
3 - A facilidade com a qual cabem em nossos braços.
4 - O jeito que tem de nos beijar e, de repente, fazer o mundo ficar perfeito.
5 - Como são encantadoras quando comem.
6- Elas levam horas para se vestir, mas no final vale a pena.
7- Porque estão sempre quentinhas, mesmo que esteja fazendo trinta graus abaixo de zero lá fora.
8- Como sempre ficam bonitas, mesmo de jeans com camiseta e rabo-de-cavalo.
9- Aquele jeitinho sutil de pedir um elogio.
10- Como ficam lindas quando discutem.
11- O modo que tem de sempre encontrar a nossa mão.
12- O brilho nos olhos quando sorriem.
13 - Ouvir a mensagem delas na secretária eletrônica logo depois de uma briga horrível.
14 - O jeito que tem de dizer 'Não vamos brigar mais, não...'
15 - A ternura com que nos beijam quando lhes fazemos uma delicadeza.
16 - O modo de nos beijarem quando dizemos 'eu te amo'.
17 - Pensando bem, só o modo de nos beijarem já basta.
18 - O modo que têm de se atirar em nossos braços quando choram.
19 - O jeito de pedir desculpas por terem chorado por alguma bobagem.
20 - O fato de nos darem um tapa achando que vai doer.
21 - O modo com que pedem perdão quando o tapa dói mesmo (embora jamais admitamos que doeu).
22 - O jeitinho de dizerem 'estou com saudades'...
23 - As saudades que sentimos delas.
24 - A maneira que suas lágrimas tem de nos fazer querer mudar o mundo para que mais nada lhes cause dor.

Isso não é uma corrente, apenas mande para todas as mulheres de sua lista para elas perceberem o quanto são importantes, e para os homens, para que eles lembrem o quanto vocês são essenciais!!!

Arnaldo Jabor

domingo, 9 de março de 2008

(Don Quijote y Sancho Panza - Pablo Picasso)
A quien le guste la literatura española, sigue un sitio muy interesante sobre El Ingenioso Hidalgo Don Quijote de la Mancha. Vale la pena conferir. Es un entretenido juego que os llevará a conocer la historia del "caballero de la triste figura".


Sugerencia: Para empezar el juego, os aconsejo a ir al ícono que lleva la carita de Don Quijote, llamada "Aventúrate". ¡Buen provecho!
:o)